segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

domingo, 10 de dezembro de 2017

Lisboa, secreta e misteriosa.

 


A nuvem que não sabia os verbos.

 
 


A nuvem que não sabia os verbos
 
Era uma vez uma nuvem que não sabia os verbos, porque dizia:
− Eu chovo, tu choves, ele chove…
− Não, nuvem, não é assim! – dizia o professor Sol.
De noite a nuvem até estudava mais com os pais, o vento e a tempestade.
Um dia foi falar com a amiga estrela que lhe disse:
− Podias nos intervalos estudar comigo!
− Está bem.
E todos os dias a nuvem estudava com a estrela, que de dia quase não se via.
No fim do período, a nuvem já sabia os verbos todos e por se ter esforçado teve um 100%. Mas não teria conseguido sem a ajuda da estrela e a primeira coisa que fez foi agradecer-lhe.
 
Fim
 
Margarida Araújo
 
(em data indefinida, mas há alguns anos.)
 
 
Post-scriptum - obrigado Graça, obrigado Marcos, do pai da Margarida Araújo.


Lisboa, secreta e misteriosa.

 


Há cinquenta anos.

 








Lisboa, secreta e misteriosa.

 

Lisboa, secreta e misteriosa.

 
 
 

Lisboa, secreta e misteriosa.

 

Algumas capas dignas de registo e até publicitação.

 
 







sábado, 9 de dezembro de 2017

Lisboa, secreta e misteriosa.

 

Fotografia de 11 de Setembro.

 



FOTOGRAFIA DE 11 DE SETEMBRO
 
 
Atiraram-se dos andares em chamas.
um, dois, ainda alguns,
mais acima, mais abaixo.
 
A fotografia deteve-os na vida
e agora preserva-os
sobre a terra rumo à terra.
 
Cada um ainda na íntegra,
com rosto individual
e sangue bem guardado.
 
Ainda há tempo
para os cabelos esvoaçarem
e do bolso caírem
chaves e alguns trocos.
 
Ainda estão ao alcance do ar,
no âmbito dos lugares
que acabaram de se abrir.
 
Só duas coisas posso por eles fazer:
descrever estre voo
e não acrescentar a última frase.
 
Wisława Szymborska
 

Lisboa, secreta e misteriosa.

 


Lisboa, secreta e misteriosa.

 

Lisboa, secreta e misteriosa.

 

Lisboa, secreta e misteriosa.

 

Lisboa, secreta e misteriosa.

 


Lisboa, secreta e misteriosa.

 

Há cinquenta anos.



 
 

Lisboa, secreta e misteriosa.

 

São Cristóvão pela Europa (42)

 
 
 
Fresco em Grote Kerk (Grande Igreja), Breda, Holanda, 4 de Agosto de 2014.
 
 
A “Saga de Gösta Berling” é o primeiro livro da escritora sueca Selma Lagerlöf (1858-1940), Prémio Nobel da Literatura de 1909. Foi publicado em 1891.
Nele, o Conde Henrik Dohna, pouco inteligente, manda cobrir de cal branca toda a igreja de Svartsjö, incluindo o tecto pintado, aproveitando ainda para fazer desaparecer diversas imagens de gesso, representando santos.
Havia um São Olavo, uma Judite, uma Rainha do Sabá, um São Jorge, um São Cristóvão com um cajado que reverdecia e um Santo Eurico.
Todas estas imagens desapareceram nas águas do lago Löven onde o Conde as mergulhou com as suas próprias mãos, sentindo-se um campeão da pura doutrina evangélica.
Um belo domingo, o Conde Dohna, encontrava-se sentado num cadeirão no meio do coro da igreja para ser visto e homenageado por todos, dadas as benfeitorias que tinha realizado na Igreja. Terminado o serviço divino e cantado o último cântico, o pastor subiu ao púlpito para fazer o panegírico do Conde.
Nesse momento, as portas da igreja abriram-se com estrondo. Os velhos santos de gesso fizeram a sua entrada na Igreja.
Pingando a água do Löven, sujos de lama verde, eles voltavam. Habituados ao murmúrio das preces e ao som do órgão, não gostavam do sussurro monótono das vagas.
E não podiam aceitar que o Conde Dohna fosse louvado na Casa do Senhor.
Por isso se levantaram do seu túmulo húmido e regressaram à igreja, reconhecidos por todos os paroquianos: Santo Olavo, o velho viking, marchava à frente, o elmo coroado, seguido de Santo Eurico, com um manto florido de ouro, seguido por São Jorge e São Cristóvão. Apenas a Rainha de Sabá e Judite ficaram para trás.
Foram direitos ao Conde e sem dizer uma palavra puseram o cadeirão sobre os ombros e levaram-no até ao adro da Igreja, onde o depositaram.
Todos os presentes aprovaram os Santos. O discurso do pastor não foi pronunciado e o Conde acabou por partir da aldeia por não resistir à humilhação.
 
 
José Liberato


Lisboa, secreta e misteriosa.

 
 

Lisboa, secreta e misteriosa.

 

Lisboa, secreta e misteriosa.

 
 

Lisboa, secreta e misteriosa.

 

Lisboa, secreta e misteriosa.

 

Lisboa, secreta e misteriosa.

 

Lisboa, secreta e misteriosa.

 
 

Lisboa, secreta e misteriosa.

 

Lisboa, secreta e misteriosa.